Toda insegurança culinária que por ventura eu pudesse ter se dissipou durante os anos em que trabalhei com italianos. Entre uma reunião e outra, aos poucos os segredos de como fazer alguns de meus pratos preferidos foram se revelando. Tem a ver com tempero, tempo de cozimento, medidas exatas dos ingredientes e um certo dom? “Sì, ma non troppo” (sim, mas não muito). Existe algo que é mais central na elaboração de pratos dignos de elogios: a escolha da matéria-prima. “Escolha uma boa massa e até mesmo se você errar ela ficará boa”, disseram-me. Dito e feito!

E o que isso tem a ver com uma escrita qualificada? Oras, o princípio é o mesmo. Tenha fontes qualificadas de inspiração. Atente para sua matéria-prima. Onde você colhe dados e informações para seus escritos? E de que natureza eles são? Muitos escritores sentem sua verve literária abundante depois de ler. Outros sentem-se assim ao experimentar sabores, fatos e emoções novos em suas vidas. Independente de qual seja seu caso, priorize o que qualifica sua expressão. Às vezes é um livro com ‘selo de qualidade’ que leva a um bom resultado. Outras, um tipo de literatura que poderia ser questionada. Em alguns casos, são experiências leves, bonitas e edificantes as mais inspiradoras. Em outros são aquelas experiências que nos colocam frente a frente com nossa sombra as que mais se refletem numa escrita da qual possamos nos orgulhar.

Escolha com zelo sua matéria-prima!

 

Por Sandra Veroneze

Capítulo Integrante do livro “365 dicas para escrever criativamente”

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