É muito natural pedirmos a opinião de pessoas queridas quanto à qualidade dos nossos textos. A cena é conhecida: depois de um bom tempo trabalhando, você está lá, todo pimpão, orgulhoso de suas letrinhas... Muitas vezes chega até a imprimir o conto, o poema, ou o artigo e o entrega para o ente querido como um prato especialmente preparado, ou uma flor colhida do jardim. Nos minutos que seguem o que se vê é um desfile de críticas, que vão desde problemas com vírgulas até uma ideia com a qual ele não concorda... Na hora você se questiona se foi uma boa ideia ter pedido a opinião.

Pode acontecer também o contrário... A pessoa faz a maior festa, elogia detalhes, garante que seu trabalho será bastante apreciado e incentiva a prosseguir na empreitada. Diz que está sempre à disposição para auxiliar e que o mundo não pode deixar de conhecer você e seu brilhantismo... Aponta inclusive os erros como arroubos corajosos do seu estilo próprio e confessa admiração indizível pelo seu talento... Na hora você se questiona se foi uma boa ideia ter pedido a opinião.

Saiba... O problema não é pedir opinião... O problema não é pedir opinião para pessoas queridas (pessoas muito próximas, pelo vínculo emocional, tendem a dar opiniões muito críticas ou muito condescendentes). O problema é se tornar refém dessas opiniões e permitir que elas afetem demais sua produção... Por outro lado, é bom ir testando a receptividade dos seus textos até maturar, até cunhar seu estilo... Portanto, na hora de pedir opinião, exercite a moderação.   

 

Por Sandra Veroneze

Capítulo Integrante do livro “365 dicas para escrever criativamente”

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