Conta a lenda que um famoso escritor, de tempos em tempos, gastava uma grana adquirindo a tiragem integral de seu primeiro livro, que a editora insistia em relançar. Segundo ele, seu texto de estreia no mundo editorial não estava à altura dos patamares posteriormente conquistados. De alguma forma, aquela obra depunha contra sua reputação como escritor e também poderia haver um certo interesse dele em não submeter o querido leitor a tal experiência. O nome dele? Moacyr Scliar.

Não sei se essa história é verdade, mas o conselho que se seguiu à exposição dessa história, naquele encontro de escritores do qual participei, é válido: não tenha pressa de publicar, especialmente obras de fôlego, como romances. Quem experimentou tempos um pouco (ou nem tanto) mais antigos pode considerar esse conselho estranho. Afinal, hoje, ter um blog ou site não demanda mais que alguns minutos e após alguns comandos simples seu texto estará disponível para o mundo. Mas, acredite, houve um tempo em que, para ter um texto publicado, era necessária uma ampla negociação com jornais e editoras, o que poderia levar meses.

A ideia de não ter pressa para publicar decorre de que as primeiras tentativas, via de regra, não são as melhores. É como a primeira vez que se faz qualquer coisa: estão muito evidentes todas as possibilidades de dar errado, de não ficar bom. O conselho é escrever, deixar passar um tempo e voltar aos materiais... Compare os mais recentes com os mais antigos e verifique o padrão de qualidade... Faça os ajustes necessários e então publique!

 

Por Sandra Veroneze

Capítulo Integrante do livro “365 dicas para escrever criativamente”

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