Às vezes escrever parece mesmo um processo de exorcismo. É preciso “o diabo” para arrancar alguma coisa que preste da nossa mente. Mas não é desse tipo de ritual que falo aqui. É algo que tem menos a ver com mística e mais com rotina. Ritualizar seu processo de escrita tem a ver com organizar o local que você utilizará, o horário que dedicará a essa atividade, aos materiais utilizados e outros detalhes.

Raciocine comigo. É igual escrever em uma cafeteria e no quarto da sua casa? É igual escrever em uma cabaninha na encosta da serra no auge do inverno, na companhia de um bom vinho, ou à beira mar, em pleno janeiro, bebendo uma cerveja? É igual escrever domingo de manhã, com tudo calmo, e ao meio-dia de uma segunda-feira? É igual escrever tendo todo tempo do mundo à disposição, ou ligeirinho antes que o prazo estoure? É igual escrever no computador de casa e no notebook, tablet ou até mesmo celular? E é diferente usar algum aparelho eletrônico e papel e lápis?

Alguns escritores, além desses cuidados, também organizam-se internamente cada vez que vão escrever. Conheço um que faz uma oração, pedindo inspiração para produzir algo que agregue consciência a seus leitores. Conheço outro que olha para o quadro das musas gregas que enfeitam suas paredes do escritório.

São rituais que contribuem para canalizar atenção, dirigir a intencionalidade. Tenho o meu também: gosto de escrever tomando chimarrão!

 

Por Sandra Veroneze

Capítulo Integrante do livro “365 dicas para escrever criativamente”

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