Sempre gostei de conversar com pessoas mais velhas. Não que os conselhos fossem necessariamente sábios, mas as doses generosas de afeto e o olhar ‘galacticamente’ distanciado das coisas bobas da vida que atormentam demais os jovens, de modo geral, me faziam bem.

Em uma dessas conversar fui aconselhada para atentar para a mística do ato de escrever. Não era exatamente o que eu esperava de um engenheiro civil. Até preparei o espírito para ouvir algo como dom e inspiração divina. Vá que exista algum sentido nisso! E então meu caríssimo interlocutor desfilou sua teoria. Pegou um guardanapo, retirou a caneta do bolso e falou pausadamente: escrever é pura mística. No guardanapo escreveu ‘me-estica’. A tradução veio em seguida:

- Te puxa, guria!

Ou seja, escreva, escreva, escreva.

 

Por Sandra Veroneze

Capítulo Integrante do livro “365 dicas para escrever criativamente”

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